Não vejo problemas contanto que os testes tenham fins científicos (e não fins mercadológicos, por exemplo) e não coloquem o animal em sofrimento (ou, se isto for inevitável, que sejam tomadas todas as medidas para se minimizar esse sofrimento).
Enfim, minha posição não é original, sequer é algo em que investi muita reflexão. Alguns problemas aparecem rápido: e quando há uma finalidade mercadológica por trás da finalidade científica? Qualquer finalidade científica legitima os testes? Por que a ciência legitima algo potencialmente cruel?
Não saberia responder adequadamente estas indagações. O único pensamento que mantenho nesse problema todo é o de que uma vida humana tem mais valor do que a vida de outro animal. É algo que pode ser embaraçoso de se defender (acho que a vida de alguns indivíduos em especial vale menos do que a de muitos animais), mas penso que é algo eticamente importante e consigo oferecer uma justificação:
Uma vida humana pode salvar e preservar uma vida animal. Uma vida animal não pode salvar e preservar uma vida humana. Devemos dar mais valor para uma vida que pode assegurar a preservação e sobrevivência de outras vidas. Portanto, devemos dar mais valor para a vida humana.
Sobre a primeira premissa: sim, nem todos os seres humanos salvam e preservam animais, mas em princípio eles podem fazê-lo. Sobre a segunda premissa: sim, algumas vezes animais salvam pessoas (tanto intencionalmente, como esses cães que ficam famosos ao salvarem os donos, quanto acidentalmente, como pela doação de algum órgão), mas em princípio não é algo que eles podem fazer. Sobre a terceira premissa: é um princípio ético que soa intuitivo, mas exige aprofundamentos.
A formulação do argumento não foi muito rigorosa, porém, creio que ele seja válido. Enfim, se alguém oferecer uma boa razão eu mudo de ideia, até lá continuo concordando com a conclusão do argumento e, consequentemente, aceitando que animais sejam testados em laboratórios.
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