28 de fevereiro de 2011

Greg, que você é ateu muitas pessoas já sabem. Mas o que eu quero saber é o seguinte: por que não és agnóstico?

Entendo por "agnosticismo" a postura decorrente de concordarmos com o seguinte enunciado:

(AG) "Deve-se crer apenas no que se pode conhecer. Sobre aquilo que não se pode conhecer deve-se suspender juízo."

Prima facie é um enunciado muito razoável, do tipo que qualquer indivíduo racional aceitaria, ainda que apenas a sua aceitação não baste para qualificar alguém como agnóstico (discutirei isso adiante). Contudo, a razoabilidade dele depende drasticamente dos nossos critérios para atribuição de conhecimento, isto é, das condições que pensamos que devem ser satisfeitas para que alguém saiba alguma coisa. Onde quer que nossas condições sejam muito rígidas (com algo como um rigor cartesiano) ou muito flexíveis, teremos problemas. Se adotarmos um critério cartesiano para atribuição de conhecimento, então não poderemos confiar no que nossos sentidos nos informam de modo que não teremos como saber, por exemplo, se realmente temos cabeças. Mesmo que possa desempenhar alguma função argumentativa (especialmente em argumentos céticos), qualquer ideia que implique que um indivíduo tenha de suspender juízo sobre o fato de ter uma cabeça deve, no mínimo, levantar suspeitas. Com um critério muito rígido de atribuição de conhecimento nós teríamos de ser agnósticos sobre muitas coisas, principalmente sobre coisas em que seria absurdo sê-lo. Por outro lado, com um critério muito frouxo, corremos o risco de julgar que sabemos muito mais do que de fato sabemos. Nenhum destes dois casos é desejável e, mesmo que não signifiquem que devemos rejeitar AG, revelam os cuidados que devemos tomar.

Como foi dito, não basta que alguém aceite AG para ser um agnóstico, mesmo porque "agnóstico" nunca é uma qualificação absoluta, é uma qualificação sempre relativa, isto é, sempre somos agnósticos sobre alguma coisa, nunca somos agnósticos per se. Ocorre que acerca de alguma questão um indivíduo pode sustentar que não há razões permitindo que se aceite qualquer resposta e, uma vez que o indivíduo aceita AG, ele será agnóstico sobre a questão em causa. Por exemplo, um indivíduo pode ser agnóstico sobre a existência de vida fora de nosso planeta ou sobre a existência do bóson de Higgs. Para que o agnosticismo se justifique é necessário que se aceite AG e em seguida que se verifique que não há como saber que certa proposição é verdadeira ou falsa, assim o juízo será suspenso e o agnosticismo poderá ser adequadamente assumido. As duas proposições que foram dadas como exemplos (existência de vida fora da Terra e existência do bóson de Higgs) são casos de proposições sobre as quais o agnosticismo é aceitável, mas existem muitas outras questões que ficam na mesma situação. No entanto, penso que a inexistência de Deus não seja uma delas. Daqui em diante me referirei por "agnosticismo" e "agnóstico" somente ao ato (e quem incorre no ato) de suspender juízo sobre a existência ou inexistência de Deus com base na ideia de que não se pode saber se Deus existe ou não.

A razão pela qual não sou agnóstico é simples: penso que podemos saber que Deus não existe. Podemos sabê-lo através de argumentos (como aquele baseado na tese fisicista que discuti recentemente: http://gregorygaboardi.blogspot.com/2011/01/existe-algum-argumento-que-possa.html). Temos, portanto, boas razões para crer que Deus não existe, razões suficientes para que saibamos tal coisa. Fosse o agnosticismo a postura mais racional, então deveria ser demonstrado que não podemos saber se Deus existe ou não, mas suspeito que isso não pode ser feito. Não insistirei neste ponto, cabe aos agnósticos apresentar os argumentos. Apenas gostaria de enfatizar algumas sutilezas do problema, detalhes que frequentemente observo no pensamento agnóstico e que não devem passar despercebidos. O primeiro detalhe é que os agnósticos podem ser divididos em dois tipos, um que poderia ser chamado de "agnosticismo forte" e outro que seria o "agnosticismo fraco". O defensor do agnosticismo forte é aquele que sustenta que nunca poderemos saber se Deus existe ou não, o defensor do agnosticismo fraco sustenta que atualmente não temos como saber se Deus existe ou não. Essa divisão obriga cada tipo de agnóstico a conduzir seus argumentos em termos diferentes.

O segundo detalhe diz respeito ao fato de que alguns agnósticos podem ser indevidamente seletivos no rigor da aplicação de seus agnosticismos. Por exemplo, um indivíduo pode ser extremamente exigente na condição para que se possa saber se Deus existe ou não, de modo que o agnosticismo se torne a postura racional; porém, sobre outros assuntos ele pode ser menos exigente, o que seria uma incoerência em potencial. Os mesmos critérios de atribuição de conhecimento que nos impedem de saber se Deus existe ou não devem ser aplicados para que possamos saber se outras coisas (como nossas cabeças, mesas e o resto do mundo) existem ou não, a não ser que alguma boa razão seja oferecida e legitime que o conhecimento acerca da existência de Deus seja uma exceção. Por fim, os agnósticos não podem se enganar pensando que o agnosticismo é uma posição de alguma maneira privilegiada ou fundamental, da mesma forma que ateus e teístas os agnósticos devem apresentar argumentos: raciocínios que estabeleçam que não temos como saber se Deus existe ou não, pois de modo algum parece ser o caso que o agnosticismo seja uma obviedade.

Resumidamente, não sou agnóstico porque creio que podemos saber que Deus não existe. Não rejeito AG, mas rejeito algumas condições de atribuição de conhecimento e é principalmente disso que segue minha rejeição do agnosticismo.

Ask me anything

12 comentários:

  1. Não creio que possamos provar a inexistência de Deus.

    Teu argumento fisicista pressupõe a aceitação da premissa (que pode ser falsa) de que tudo que existe é físico.

    E, mesmo que a premissa seja verdadeira, o argumento só tem validade se aceitarmos que somos capazes de perceber tudo que é físico - algo que nunca poderemos dizer em voz alta.

    Por isso, sou tentado a concordar com Wittgenstein, quando diz que o discurso proposicional serve apenas à ciência natural, e sobre o resto devemos nos manter em silêncio.

    O que faço é passar a navalha e dizer que só posso falar do que é possível conhecer.

    ResponderExcluir
  2. Eduardo

    Em um sentido rigoroso de "prova" (o sentido estritamente lógico e matemático do termo) concordo que não se possa provar a inexistência de Deus, pois a prova teria de ser um procedimento puramente dedutivo. Contudo, em momento algum eu afirmei estar provando que Deus não existe.

    O argumento fisicista depende de que se aceite a veracidade da premissa de que tudo que existe é físico, e, evidentemente que ela pode ser falsa. No entanto, não penso que ela seja falsa, penso que a veracidade dela é estabelecida pelos argumentos fisicistas e que não haja qualquer boa razão para rejeitá-la.

    Sobre a validade do argumento, ele é um argumento válido (é um modus ponens), não vejo como a tua alegação alteraria esse fato. Não entendi bem tua colocação sobre a necessidade de "perceber tudo que é físico" ou porque não poderíamos dizer isso em voz alta. Em uma primeira interpretação é algo simplesmente falso, para que tudo seja físico não é necessário que possamos "perceber" (um termo muito vago) tudo que é físico, mas suponho que não foi isso que tu quis dizer.

    Sobre Wittgenstein, não estou certo de que ele tenha afirmado isso (que o discurso proposicional estaria restrito ao discurso científico), mesmo porque a própria afirmação ("O discurso proposicional serve apenas à ciência natural") não é uma afirmação originária de qualquer ciência natural e, portanto, não poderia ser proposicional (ser verdadeira ou falsa).

    Sobre a navalha, se tua única razão para sustentar que não podemos saber que Deus não existe depende do fato de que não podemos provar tal coisa, então você teria que se decapitar com a navalha, pois tampouco você pode provar que tem uma cabeça e, consequentemente, não poderia sabê-lo. O que pode ser conhecido não está limitado ao que pode ser provado.

    ResponderExcluir
  3. Sobre a questão da "percepção" do físico: eu quis dizer que não podemos saber se tudo que é físico nos é acessível, pois só podemos acessar o físico através dos nossos cinco sentidos, ou com a ajuda de instrumentos de detecção também baseados nos nossos sentidos.

    O que impede que haja formas e dimensões físicas que nos sejam inacessíveis?

    Cara, o que quero dizer é: se levada às últimas consequências, a dúvida cartesiana nos conduz à conclusão de que apenas o pensamento existe com certeza e nada mais, nem eu mesmo.

    Como diria Moore, com outras palavras, isso é uma idiotice e é claro que eu tenho uma cabeça e duas mãos. Colocar isso em dúvida não serve pra nada.

    Uso a "navalha" não no sentido de eliminar tudo que esteja sujeito à dúvida cartesiana, mas para dizer que certas perguntas não faz diferença a gente fazer, porque nunca chegaremos a uma resposta que não possa ser refutada.

    A não ser, é claro, que tu sintas prazer em ficar perguntando isso (e certamente sentes). Nesse caso, o questionamento tem sentido apenas pelo próprio questionar, como um hobby, pois sabes que nunca chegarás a uma resposta indubitável maior do que o "há pensamento".

    Por isso, uso uma "razão prática" (ainda não a conceituei, to chamando assim na falta de nome melhor) pra me guiar. E acho que gastar tanta energia e tantos neurônios para provar se qualquer tipo de divindade existe ou não é um desperdício de inteligência.

    A ideia de Deus existe, e pode ser bem usada ou mal usada.

    Há pessoas que vivem muito bem com a sua espiritualidade: a ideia de Deus as faz viver na prática uma ética benéfica para a existência em sociedade.

    Há outras pessoas que usam a ideia de Deus como válvula de escape, como instrumento de dominação, whatever.

    Mas o que realmente importa não é o Deus ontológico, e sim o modo como a ideia de Deus reverbera na consciência de quem acredita ou não.

    Putz, minha resposta me fez parecer um "crente".

    ResponderExcluir
  4. Ah, e sobre a frase do nosso amigo Ludwig, está lá, na proposição 6.53 do Tractatus:

    "O método correto da filosofia seria popriamente este: nada dizer, senão o que se pode dizer, portanto, proposições da ciência natural."

    Claro que depois ele diz que quem entendeu o livro sabe que isso é um contra-senso... e que todas as proposições do livro devem ser jogadas fora depois de usadas para entender a vida, o universo e tuido mais.

    Por isso eu amo esse cara

    :P

    ResponderExcluir
  5. Eduardo

    Sobre a "percepção do físico", o ponto relevante para o fisicismo não é exatamente se podemos "perceber" ou "detectar" tudo que é físico, o que interessa é se podemos saber que tudo que existe é físico, pois por princípio tudo que é físico é detectável (é algo que está pressuposto no caráter científico do fisicismo).

    Sobre as perguntas que não fazem diferença que sejam feitas, é exatamente o que eu espero que os agnósticos mostrem. A pergunta não faria diferença porque, supostamente, não haveria resposta que não poderia ser refutada. Ora, quase qualquer pergunta não tem respostas irrefutáveis, disto não segue que quase qualquer pergunta não faça diferença. Se a única motivação para o agnosticismo é a refutabilidade das perguntas, então essa é uma péssima razão para o agnosticismo.

    Não penso que o agnosticismo sobre a existência de Deus se sustente e creio que, considerando a veracidade do fisicismo, Deus não existe e podemos saber que ele não existe. Antes de Deus ser uma ideia boa ou ruim, deve estar claro que é uma ideia ilusória e que, como toda ilusão, deve ser removida da busca pelo conhecimento. Se as pessoas podem fazer bom uso da ideia divina é uma questão posterior, o fato é que a ideia de que Deus existe é um equívoco que pode ter sua falsidade demonstrada.

    E sobre a passagem do Wittgenstein, é uma das minhas razões pra preferir o segundo Wittgenstein.

    ResponderExcluir
  6. 1) O fisicismo só refuta Deus se Deus não for físico.

    2) Se Deus não for físico, a sua inexistência só é provada pelo fisicismo se o fisicismo estiver certo (o que não pode ser provado). Logo, a crença na inexistência de Deus é um ato de fé (fé no fisicismo), tanto quanto a crença na existência de Deus é um ato de fé (fé na existência de entes não-físicos).

    ResponderExcluir
  7. Eduardo

    1) Concordo. Esta ressalva é feita no argumento que apresentei, não é algo preocupante para o argumento posto que seu alvo é a divindade cristã "clássica" e não aquela que pode ser oferecida por concepções heterodoxas.

    2) Sim, se Deus não é físico então o fisicismo precisa ser verdadeiro para estabelecer que Deus não existe. O resto das afirmações são falsas, pois incorrem no equívoco de supor que, por o fisicismo não poder ser provado, ele não pode estabelecer a inexistência de Deus.

    As razões pelas quais é um equívoco já foram apresentadas: não faz sentido se esperar que só uma prova pode estabelecer algo e garantir conhecimento. Fosse assim não poderíamos saber que temos cabeças, acreditar que temos cabeças seria uma "questão de fé". Isso é absurdo. O fisicismo não depende de fé para ser estabelecido (e assim estabelecer a inexistência de Deus), depende de argumentos que penso que conseguem estabelecê-lo racionalmente.

    Rigorosamente só podemos provar alguns enunciados da lógica e da matemática, mas evidentemente estes enunciados constituem uma porção muito pequena de tudo que sabemos. O fisicismo é amparado por argumentos sérios (como o argumento do fechamento causal e outros que podem ser encontrados na literatura), não é um produto de vaidade intelectual ou de oposição ingênua das ideias religiosas.

    ResponderExcluir
  8. Cara,
    Passei pra conhecer o seu blog.
    Essa questão é uma das que mais me interessam.

    A proposição de que nós não podemos provar a inexistência de Deus é bem simples.

    Mas primeiro, nós podemos sim provar que nossas mão e até o nosso cérebro existem da mesma forma que nós provamos que diversas outras coisas existem.

    Nós podemos, por exemplo, captar o eletromagnetismo gerado pelos estímulos cerebrais.
    O mesmo eletromagnetismo que é largamente usado na física para comprovar a existência de diversas partículas que não podemos ver nem tocar.(antimatéria por exemplo)

    Mas existe uma coisa nas provas que a física nos traz:
    Ela só prova algo como verdadeiro ou falso, quando esse algo interagi com outras partículas ou cargas.

    Ou seja, a física não pode provar o que está além do seu alcanse.

    Todas as leis da física que nós possíumos atualmente, vem da observação de fenômenos ocorridos dentro do nosso universo.
    Deus é comumente visto como algo ou alguém que está fora do nosso universo e provávelmente, fora do nosso sistema físico.
    Logo, a física não conseguiria provar que ele não existe caso ele não tenha nenhuma interação com o mundo físico.(até as partículas phantom precisaram ter alguma interação para serem capturadas)

    Qual outro método nós poderíamos usar para provar a inexistência de Deus?
    Talvez pelo deducionismo.

    Mas isso se torna claramente impossível quando nós analisamos todos os significados que a palavra "Deus" pode adquirir.
    Sendo que para cálculos probabilísticos, um Deus, não necessariamente exclui o outro.
    A inexistência de um, também não pode concluir a inexistência de outro.


    Para falar em um argumento mais simples.
    Você não vê a ciência medindo o peso das fadas ou a envergadura das asas de um pégasus.
    É algo até mesmo estranho pensar em pessoas racionais tentando fazer isso.

    Não existe argumento algum sólido sobre a existência de Deus.
    Todos eles são relativos e podem mudar a todo o momento.

    Se não existe motivo racional/científico para acreditar na existência de algo, também não se pode provar que esse motivo está errado.

    Você não prova a inexistência de algo.
    Você prova, na verdade, a insuficiencia de provas a favor ou a inconfiabilidade das mesmas.
    Mas no caso de Deus, fadas e etc. Nós não temos provas para argumentar contra ou a favor das mesmas.

    Por isso eu não acredito na possibilidade de provar que Deus não existe.

    ResponderExcluir
  9. Sergio,

    Obrigado pela visita.

    Você carrega uma série de pressupostos que não aceito e não vejo porque aceitar:

    1- Sim, na física só se estuda aquilo que pode ser testado empiricamente (ao menos em princípio). Mas, isto não quer dizer que os resultados da física se aplicam somente ao que é empírico. Eu não vejo um pensamento, mas isto não quer dizer que as leis da física não se apliquem aos nossos pensamentos ou capacidades mentais.

    2- Ainda assim, o que interessa para provar a inexistência de Deus é que tudo que existe seja espaço-temporal, e a física nos oferece boas razões para pensar que tudo que existe é espaço-temporal. Mas, é claro que isto não pode ser conhecido somente pela física, é um argumento filosófico que nos permite concluir tal coisa, um argumento filosófico com base nos resultados da física.

    3- Assim, a física não nos permite concluir a inexistência de Deus (e nem teria porque fazê-lo), mas a física nos permite construir uma tese metafísica (o fisicismo) que, por sua vez, nos permite concluir a inexistência de Deus.

    4- Não sei bem o que você quer dizer com "deducionismo", mas o fato de "Deus" poder significar muitas coisas é irrelevante. O que importa são as propriedades atribuídas aos deuses, como a de existir além do espaço e do tempo. Basta ter esta propriedade pra poder ter sua inexistência provada em função da tese fisicista.

    Portanto, não vejo porque aceitar tua conclusão de que não se prova a inexistência de algo e de que não há como provar que Deus não existe.

    ResponderExcluir
  10. Greg,

    O fisicismo é uma teoria.
    Nada nos permite dizer que tudo o que existe é físico e está compreendido no nosso universo.(visto que o tempo em si é uma característica do nosso universo)

    Mas voltando ao fato do fisicismo ser uma teoria.
    O que nos permitiria deduzir que o fisicismo é falso?

    Se nós descobríssemos algo não-físico. Nós poderíamos deduzir que o fisicismo é falso.

    Agora, por outro lado. O que nos permitiria dizer que o fisicismo é verdadeiro?

    Para afirmar que tudo o que existe é físico, nós teríamos que conhecer tudo e saber que conhecemos tudo.(note que as duas afirmações são igualmente difíceis)

    Então o fisicismo é no mínimo uma teoria que, para ser dita como verdadeira levaria uma eternidade.
    Dentro do nosso sistema solar ainda existem milhões de coisas à serem exploradas.
    Eu posso ir mais longe e dizer que nos nossos oceanos ainda existe zilhões de coisas que não conhecemos.

    Então, não considere o fisicismo como uma teoria com boa probabilidade de ser real.
    A humanidade provavelmente desaparecerá antes de ele ser provado como verdadeiro ou falso.

    Mesmo porque, não existe nada que impeça que algo exista fora do nosso universo.
    Mas a nossa física pode existir somente dentro do nosso universo.
    Afinal, ela foi criada a partir da observação de fenômenos ocorridos dentro do nosso universo.


    Resumindo os dois pontos a cima:
    1- O fisicismo não é uma teoria falseável.
    2- A física, a princípio, aplica-se somente ao que existe no nosso universo.

    Agora eu vou mais longe.
    Como nós provaríamos que existe algo não-físico?
    Como eu disse antes, a física trata da física.
    As partículas phantom, por exemplo, precisaram ter interação com o mundo físico para serem capturadas.

    Se algo não é físico, não tem interação com a física e não pode ser provado como existente pela física.

    Se Deus não é físico, não pode ser falseado pela física.
    Ele não poderia ser preso em um campo eletromagnético como a antimatéria.
    Ele não sofreria efeito da gravidade gerada pelos planetas como os astros.
    Ele não passaria a conduzir maior eletricidade a medida que a temperatura aumentasse.
    Deus, muito menos, possuiria electrons porque eles são meios FÍSICOS.
    Deus não poderia nem mesmo ser ouvido pois não deslocaria massa de ar alguma.
    Tudo isso porque Deus não seria um meio físico.

    Nós não possuímos provas atualmente de que algum meio não-físico/sobrenatural tenha afetado algum meio físico.(se não as religiões seriam ciência)

    Da mesma forma, não possuímos provas de que algum meio físico pode afetar algo sobre-natural.(se não, nós saberíamos da existência de algo sobre-natural e novamente, as religiões seriam ciência)

    Na verdade, o paradoxo de tentar falsear um meio sobrenatural é tão grande que ele não para por ai.

    Para dizer que Deus ou qualquer meio sobrenatural não existe. Nós precisaríamos primeiro saber como afetar esse meio sobre natural.

    Por exemplo. Se nós provássemos que o eletromagnetismo afeta Deus. Então nós poderíamos usá-lo para provar que Deus não existe caso ele não fosse afetado pelo eletromagnetismo.

    Sim, a frase é paradoxal porque a ideia de provar empiricamente que algo não existe também é paradoxal!

    Como eu disse, NÓS NUNCA PROVAMOS QUE ALGO NÃO EXISTE.
    O que nós fazemos É FALSEAR PROVAS A RESPEITO DA EXISTÊNCIA DE ALGO.


    Mesmo com provas falsas, esse algo ainda pode existir.
    As provas é que não eram boas o suficiente.

    Entende o porquê de nós não podermos provar que Deus não existe?

    Nós só podemos falsear as provas a respeito da existência dele.
    Mas com ou sem provas, ele sempre será uma possibilidade.

    ResponderExcluir
  11. Agora que eu deixei mais explicado meu ponto.
    Vou responder aos seus pontos de vista:

    1- Pensamentos são estímulos elétricos, por exemplo.
    Não existe prova alguma de que a física possa afetar um meio sobrenatural. Para provarmos que a física pode fazer isso, precisamos primeiro provar a existência de algo sobrenatural e depois, afetá-lo por um meio físico.

    2- A física não nos fornece boas razões para pensar que o nosso universo seja o único e as leis dele sejam soberanas.

    3- Uma tese, que como eu disse, não pode ser falseada até que conheçamos tudo e saibamos ser conhecedores de tudo.
    Logo, não se pode usá-la com precisão para afirmar nada.

    4- Nem todos os Deuses tem as mesmas propriedades.
    Alguns morrem com raios enquanto outros não, por exemplo.

    "ortanto, não vejo porque aceitar tua conclusão de que não se prova a inexistência de algo e de que não há como provar que Deus não existe."

    Isso não é uma conclusão.
    É um fato.

    Procure na história da humanidade, uma única vez que nós tenhamos provado a inexistência de algo.
    Nós sempre refutamos as provas e é por isso que quem afirma, cientificamente precisa fornecer provas para sua afirmação antes que nós possamos refutá-la.

    ResponderExcluir
  12. Sergio,

    Vou responder pontualmente para tentar ser mais objetivo.

    "O fisicismo é uma teoria."

    Sim, e daí?

    "Nada nos permite dizer que tudo o que existe é físico e está compreendido no nosso universo.(visto que o tempo em si é uma característica do nosso universo)"

    Por que não? Não vejo sentido nisto. Por que o fato do tempo ser uma característica do nosso universo nos impede de dizer que tudo que existe é físico?

    "Para afirmar que tudo o que existe é físico, nós teríamos que conhecer tudo e saber que conhecemos tudo.(note que as duas afirmações são igualmente difíceis)"

    Não, não precisamos conhecer tudo que existe. Não precisamos conhecer todos os corvos para saber que todos são pretos, não precisamos conhecer todos as porções de água para saber que elas ferverão sob certa temperatura e pressão. Existem inúmeras coisas que podemos conhecer com generalidade e em virtude de leis científicas e que não precisamos conhecer parte por parte.

    "Resumindo os dois pontos a cima:
    1- O fisicismo não é uma teoria falseável."
    De fato, o fisicismo não é falseável sob um critério popperiano, mas isto não importa, afinal o fisicismo não é uma tese científica, é uma tese metafísica.

    "2- A física, a princípio, aplica-se somente ao que existe no nosso universo."

    Isto vale para qualquer ciência da natureza. Qual a relevância disto para a questão?

    "Nós não possuímos provas atualmente de que algum meio não-físico/sobrenatural tenha afetado algum meio físico."

    Mas, nós temos provas (ou evidências, neste caso não faz diferença, pois não se esperam provas lógico-matemáticas) de que se algo afeta algo físico, então este algo é físico (basta olhar as leis da termodinâmica, por exemplo). Assim, nós temos evidências de que nada que não seja físico pode afetar o que é físico. Como os teístas em geral pensam que deuses afetam a realidade, então ou tais deuses são físicos ou eles não existem e não afetam nada. Como a maioria pensa que eles não são físicos, resta apenas a outra alternativa.

    Enfim, você não demonstrou que não se pode provar que algo não existe. Se você está falando de provas lógico-matemáticas, então, realmente, não se pode provar que deuses não existem, mas, como já disse: não é deste tipo de prova que estou falando, tanto que é inconveniente empregar o termo "prova".

    "Isso não é uma conclusão.
    É um fato."

    Esta é uma alegação descabida. Só porque você tem plena convicção na conclusão não quer dizer que ela deixe de ser uma conclusão (o resultado de um argumento que você considera aceitável), não faz diferença chamar de "fato" ou do que for.

    E, em geral, não dizemos que "provamos" a inexistência de algo. Mas, inúmeras vezes estabelecemos e descobrimos que certas coisas não existem: das fadas ao éter. Estamos em plenas condições de saber que o que não é físico não existe, que o fisicismo é uma tese metafísica verdadeira.

    ResponderExcluir